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Unicef: 13,5 milhões de crianças sem vacina no 1° ano de vida

ResumoUnicef revela que 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida em 2025. O número representa uma melhora de 750 mil bebês vacinados em relação a 2024. O Brasil reduziu para 50 mil o total de crianças zero-dose, mas enfrenta desafios no monitoramento vacinal.

Relatório do Unicef mostra que 13,5 milhões de crianças não receberam vacina no primeiro ano de vida em 2025, mas houve avanço de 750 mil bebês vacinados em relação a 2024. Brasil reduziu crianças zero-dose para 50 mil, mas enfrenta desafios de monitoramento.

Escrito por Dra. Cláudia Monteiro · Atualizado em 20 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • Relatório do Unicef mostra que 13,5 milhões de crianças não receberam vacina no primeiro ano de vida em 2025, mas houve avanço de 750 mil bebês vacinados em relação a 2024.
  • Brasil reduziu crianças zero-dose para 50 mil, mas enfrenta desafios de monitoramento.
Unicef: 13,5 milhões de crianças sem vacina no 1° ano de vida

Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

Em 2025, 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, de acordo com dados governamentais compilados pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) e divulgados nesta quarta-feira (15). O número representa 15% dos bebês nascidos globalmente, mas já indica uma recuperação gradual: 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da vacina DTP (difteria, tétano e coqueluche), 750 mil a mais do que em 2024.

O que são crianças zero-dose e por que isso importa?

O estudo Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional define como "crianças zero-dose" aquelas que não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida. Além delas, 7,3 milhões de crianças não completaram o ciclo básico de três doses da DTP. Apesar do avanço, o Unicef alerta que o patamar atual de crianças zero-dose é considerado alto, próximo do observado em 2009 e ainda abaixo do período pré-pandemia de Covid-19.

Sarampo: o alerta que acendeu

O abandono da imunização ocorre principalmente antes da primeira dose contra o sarampo (MCV1): 84% das crianças recebem a primeira dose, mas apenas 77% completam com a segunda (MCV2). O limite seguro para evitar surtos é de 95%. Em 2025, foram registrados mais de 411 mil casos de sarampo em 57 países. Para quem acompanha a saúde global, fica claro que manter a cobertura acima desse patamar é questão de segurança coletiva.

Quem melhorou e quem ficou para trás?

Dos 195 países que enviaram dados, 100 mantiveram cobertura de pelo menos 90% com três doses da DTP desde 2019. Entre os que estavam abaixo desse patamar, 30 conseguiram melhorar nos últimos seis anos. Porém, 65 países permaneceram estagnados ou retrocederam, incluindo 13 países frágeis ou afetados por conflitos. Mais da metade de todas as crianças zero-dose vive nesses contextos, que abrigam apenas um terço da população infantil mundial.

"Governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas globais de vacinação a se recuperarem após a forte queda observada durante a pandemia de Covid-19. Milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza", afirmou Catherine Russell, diretora executiva do Unicef.

O caso do Brasil: avanço e crítica

O Brasil seguiu na contramão da estagnação global. O país reduziu o número de crianças zero-dose para cerca de 50 mil, com melhora constante da cobertura vacinal e da integração dos dados públicos. A exceção é o ciclo completo da tríplice viral (DTP-3), que ainda mantém cobertura na faixa de 86%. O estudo, porém, aponta uma crítica específica: a ausência de levantamento independente sobre o tema nos últimos 5 anos, ação recomendada pela OMS e pelo Unicef para garantir a qualidade dos dados.

Os desafios que ameaçam o progresso

O relatório destaca que as bases desse progresso estão sob forte pressão. Cortes de financiamento, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, e o enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento são ameaças concretas. Apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas e enviadas neste ciclo, contra 50 em 2024 e uma média de 33 por ano entre 2015 e 2019. Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, resumiu: "O grande desafio será manter esse impulso diante de restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e surtos crescentes."

Perguntas Frequentes

Por que 13,5 milhões de crianças ainda estão sem vacina?

Os principais motivos são conflitos armados, deslocamentos forçados, pobreza e instabilidade política, que afetam desproporcionalmente países frágeis. Mais da metade das crianças zero-dose vive nesses contextos.

O Brasil está melhorando a vacinação infantil?

Sim. O Brasil reduziu o número de crianças zero-dose para 50 mil e apresenta melhora constante na cobertura, embora o ciclo completo da DTP-3 ainda esteja em 86%, abaixo do ideal.

Qual a relação entre vacinação e surtos de sarampo?

O limite seguro de imunização contra o sarampo é de 95%. Com apenas 77% recebendo a segunda dose, o mundo registrou mais de 411 mil casos em 2025, com surtos em 57 países.

O que são crianças zero-dose?

São crianças que não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida. O termo é usado pelo Unicef e pela OMS para monitorar a exclusão vacinal.

Como os cortes de financiamento afetam a vacinação global?

Cortes, especialmente dos EUA, reduzem o número de pesquisas nacionais de imunização e enfraquecem o monitoramento. Em 2025, apenas 18 pesquisas foram realizadas, contra 50 em 2024.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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