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Unicef: 13,5 milhões de crianças sem vacina no 1° ano de vida em 2025

ResumoUnicef reportou que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025. O Brasil reduziu esse número para 50 mil, mas 65 países apresentam estagnação ou retrocesso na cobertura vacinal, gerando preocupação global com a saúde infantil.

Dados do Unicef mostram que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025. O Brasil reduziu esse número para 50 mil, mas o cenário global ainda preocupa, com 65 países estagnados ou em retrocesso.

Escrito por Roberto Vidal · Atualizado em 20 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • Dados do Unicef mostram que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025.
  • O Brasil reduziu esse número para 50 mil, mas o cenário global ainda preocupa, com 65 países estagnados ou em retrocesso.
Unicef: 13,5 milhões de crianças sem vacina no 1° ano de vida em 2025

Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

A cobertura vacinal completa para a primeira infância ainda é uma realidade distante para 15% dos bebês no mundo. É o que apontam dados governamentais compilados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e divulgados nesta quarta-feira (15). Em 2025, 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, as chamadas crianças zero-dose. Outras 7,3 milhões não tiveram o ciclo básico completo, que inclui as três doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP).

O avanço discreto em números globais

Segundo o estudo Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional, os números representam um avanço em relação ao ano anterior. Em 2025, 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da DTP, 750 mil a mais do que em 2024. O Unicef, no entanto, alerta que a manutenção do índice de crianças zero-dose é considerada alta, próxima do observado em 2009 e abaixo do período anterior à pandemia de Covid-19. O risco de surtos de doenças permanece elevado.

Sarampo: o alerta que não pode ser ignorado

O programa de vacinas do Unicef aponta que o abandono do ciclo de imunização ocorre principalmente antes da primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1). Enquanto 84% das crianças recebem a primeira dose, apenas 77% tomam a segunda (MCV2). O limite considerado seguro para imunização contra o sarampo é de 95%. Em 2025, foram registrados mais de 411 mil casos da doença no mundo, em surtos que atingiram 57 países.

Onde a vacinação avança e onde para

Dos 195 países que enviaram dados, 100 mantiveram cobertura de pelo menos 90% com três doses da DTP desde 2019, mas com pouco progresso na ampliação desse grupo. Entre os que estavam abaixo desse patamar em 2019, 30 conseguiram melhorar as taxas nos últimos seis anos. Por outro lado, 65 países permaneceram estagnados ou retrocederam, incluindo 13 países frágeis, afetados por conflitos ou em situação de vulnerabilidade.

"Governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas globais de vacinação a se recuperarem após a forte queda observada durante a pandemia de Covid-19. Milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza", afirma em nota Catherine Russell, diretora executiva do Unicef.

O relatório aponta que mais da metade de todas as crianças zero-dose vive em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora esses locais abriguem apenas cerca de um terço da população infantil mundial. "Nesses cenários, os programas de imunização frequentemente enfrentam desafios relacionados à instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico", detalha o levantamento.

A surpresa na contramão: Brasil reduz crianças zero-dose

O Brasil tem seguido na contramão de muitos países, com melhora da cobertura vacinal constante e redução do número de crianças zero-dose, hoje estimadas em 50 mil. Houve melhora na qualidade da integração dos dados públicos. Das principais vacinas, apenas o ciclo completo da tríplice (DTP-3) mantém índices baixos, com cobertura na faixa de 86%. Os dados nacionais, porém, são alvo de uma crítica específica: a ausência de levantamento independente sobre o tema nos últimos 5 anos, ação recomendada pela OMS e pelo Unicef para garantir a qualidade dos dados.

O paradoxo dos países de renda alta

Outro desafio destacado é a diminuição da cobertura em países de renda média e alta, que ocorre por mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal. Dois exemplos: na África do Sul, o índice de cobertura da DTP1 caiu 20 pontos percentuais desde 2019 e continuou diminuindo em 2025. Na Bósnia e Herzegovina, a queda foi de 23 pontos percentuais no último ano, após registrar o maior aumento da cobertura da MCV1 da região em 2024. Ambos estão em regiões estáveis e apresentam melhora sustentada de outros índices de acesso à saúde.

"Os níveis históricos de imunização observados nos países de menor renda mostram o que pode ser alcançado quando todas as partes trabalham juntas em torno de um objetivo comum", afirmou Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da Organização Mundial de Saúde. O grande desafio, segundo ela, será manter esse impulso diante de restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e surtos crescentes.

O financiamento sob pressão

O estudo informa que as bases que possibilitaram esse progresso estão sob forte pressão, com recentes cortes de financiamento, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, e enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento. Apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas e enviadas neste ciclo, em comparação com 50 em 2024 e uma média de 33 por ano entre 2015 e 2019.

Perguntas Frequentes

Quantas crianças não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida em 2025?

Segundo o Unicef, 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025.

O que significa uma criança zero-dose?

São crianças que não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, conforme a definição do estudo do Unicef.

Quantas crianças não completaram o ciclo básico da DTP?

Além das 13,5 milhões zero-dose, outras 7,3 milhões não tiveram o ciclo básico completo com as três doses da vacina DTP.

Qual a situação do Brasil na vacinação infantil?

O Brasil reduziu o número de crianças zero-dose para 50 mil, com melhora constante da cobertura. A DTP-3 ainda tem cobertura baixa, em 86%.

Por que a cobertura vacinal caiu em alguns países de renda alta?

A queda ocorre por mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal, como nos casos da África do Sul e Bósnia e Herzegovina.

Quantos países estão estagnados ou retrocedendo na vacinação?

65 países permaneceram estagnados ou retrocederam, incluindo 13 países frágeis ou afetados por conflitos.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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