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Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

ResumoO Unicef revelou que 13,5 milhões de crianças globalmente não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida em 2025. O levantamento constitui um alerta para famílias e governos sobre a necessidade de ampliar a cobertura vacinal infantil.

Um novo levantamento do Unicef mostra que 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025. É um alerta global que exige atenção de famílias e governos.

Escrito por Dra. Fernanda Liberato · Atualizado em 20 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • Um novo levantamento do Unicef mostra que 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025.
  • É um alerta global que exige atenção de famílias e governos.
Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

A cada ano, milhões de bebês começam a vida sem a proteção que as vacinas oferecem. Um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado nesta quarta-feira (15), revela que 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida em 2025. Essas crianças são chamadas de "zero-dose" no estudo.

Além delas, outras 7,3 milhões não completaram o ciclo básico de imunização, que inclui três doses da vacina DTP, que protege contra difteria, tétano e coqueluche. Os números fazem parte das Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional e representam um leve avanço em relação ao ano anterior: em 2024, 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da DTP, número que subiu para 116,75 milhões em 2025.

Por que tantas crianças ficam sem vacina?

O Unicef alerta que a manutenção de um número tão alto de crianças zero-dose é um risco real para a saúde global. O patamar atual é considerado elevado pela organização, próximo ao observado em 2009 e ainda abaixo dos níveis anteriores à pandemia de Covid-19. Isso significa que surtos de doenças evitáveis, como o sarampo, podem voltar com força.

O abandono do ciclo de imunização acontece, na maioria dos casos, antes mesmo da primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1). Os dados mostram que 84% das crianças recebem a primeira dose, mas apenas 77% tomam a segunda (MCV2). O limite seguro para imunização contra o sarampo é de 95%. Em 2025, foram registrados mais de 411 mil casos da doença em 57 países.

Os países que avançam e os que ficam para trás

O levantamento compilou dados enviados pelos governos de 195 países. Desses, 100 mantiveram cobertura de pelo menos 90% com três doses da DTP desde 2019. Entre os que estavam abaixo desse patamar em 2019, 30 conseguiram melhorar as taxas nos últimos seis anos. Porém, 65 países ficaram estagnados ou pioraram, incluindo 13 nações frágeis, afetadas por conflitos ou em situação de vulnerabilidade.

"Governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas globais de vacinação a se recuperarem após a forte queda observada durante a pandemia de Covid-19. Milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza", afirma Catherine Russell, diretora executiva do Unicef. Mais da metade de todas as crianças zero-dose vive em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora esses locais abriguem apenas cerca de um terço da população infantil mundial.

Outro desafio é a queda da cobertura em países de renda média e alta. Na África do Sul, o índice de aplicação da primeira dose da DTP caiu 20 pontos percentuais desde 2019. Na Bósnia e Herzegovina, a queda foi de 23 pontos percentuais em um ano, após um aumento significativo em 2024.

Brasil na contramão, mas com desafios

O Brasil segue na direção oposta desses países. Os dados mostram melhora constante da cobertura vacinal e redução do número de crianças zero-dose, hoje estimadas em 50 mil no país. Das principais vacinas, apenas o ciclo completo da tríplice (DTP-3) mantém índices baixos, com cobertura na faixa de 86%.

No entanto, os dados nacionais recebem uma crítica específica: há cinco anos não é realizado um levantamento independente sobre o tema, ação recomendada pela OMS e pelo Unicef para garantir a qualidade das informações.

O que ameaça o progresso?

Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da Organização Mundial da Saúde, destaca que "os níveis históricos de imunização observados nos países de menor renda mostram o que pode ser alcançado quando todas as partes trabalham juntas". O grande desafio, segundo ela, será manter esse impulso diante de cortes de financiamento, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, e do enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento. Apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas e enviadas neste ciclo, contra 50 em 2024.

Perguntas Frequentes

O que significa uma criança "zero-dose"?

É uma criança que não recebeu nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, segundo a definição do estudo do Unicef.

Quantas crianças não completaram o ciclo básico de vacinas?

Além das 13,5 milhões zero-dose, outras 7,3 milhões não tomaram as três doses da DTP.

Qual o risco de tantas crianças não serem vacinadas?

O risco principal é o aumento de surtos de doenças evitáveis, como o sarampo, que já registrou mais de 411 mil casos em 2025.

Como está o Brasil na cobertura vacinal?

O Brasil melhorou seus índices, com cerca de 50 mil crianças zero-dose, mas o ciclo completo da DTP ainda está baixo, em 86%.

O que causa a queda na vacinação em países estáveis?

Mudanças no compromisso político, desafios estruturais e aumento da hesitação vacinal estão entre as causas apontadas pelo relatório.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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