Prevencao

Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

ResumoO Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelou que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida em 2025, representando 15% dos bebês do mundo. O dado acende alerta para risco de surtos globais. No Brasil, a cobertura vacinal melhora, mas o ciclo completo da DTP ainda preocupa.

Em 2025, 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida, segundo dados do Unicef. O número representa 15% dos bebês do mundo e acende alerta para risco de surtos. No Brasil, a contramão: cobertura melhora, mas ciclo completo da DTP ainda preocupa.

Escrito por Dra. Cláudia Monteiro · Atualizado em 19 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • Em 2025, 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida, segundo dados do Unicef.
  • O número representa 15% dos bebês do mundo e acende alerta para risco de surtos.
  • No Brasil, a contramão: cobertura melhora, mas ciclo completo da DTP ainda preocupa.
Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida

Em 2025, 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida, segundo dados governamentais compilados pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) e divulgados nesta quarta-feira (15). Outras 7,3 milhões não tiveram o ciclo básico completo - com três doses da vacina que protege contra difteria, tétano e coqueluche (DTP).

Em 2025, 13,5 milhões de crianças no mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida, segundo relatório do Unicef. Outras 7,3 milhões não completaram o ciclo básico da DTP. O índice de crianças zero-dose é considerado alto e aumenta o risco de surtos de doenças como o sarampo.

Entenda o cenário global da vacinação infantil

O estudo Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional mostra que 15% dos bebês em todo o mundo estão nessa situação. Apesar de o número representar um avanço em relação ao ano anterior - 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da DTP em 2024, 750 mil a mais que em 2023 -, o Unicef alerta que a manutenção do índice de crianças zero-dose é considerada alta.

O patamar atual está próximo do observado em 2009 e abaixo do período anterior à pandemia de Covid-19. Para o programa de vacinas da Unicef, isso aumenta o risco de surtos de doenças.

Por que tantas crianças ficam sem vacina?

O abandono do ciclo de imunização ocorre principalmente antes da primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1). Os dados mostram que 84% das crianças recebem a primeira dose, mas apenas 77% a segunda (MCV2). O limite considerado seguro para imunização contra o sarampo é de 95%. Em 2025, foram registrados mais de 411 mil casos de sarampo no mundo, em surtos que atingiram 57 países.

Catherine Russell, diretora executiva do Unicef, afirma em nota: "Governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas globais de vacinação a se recuperarem após a forte queda observada durante a pandemia de Covid-19. Milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza."

Onde a situação é mais crítica?

Os dados compilados de 195 países mostram que 100 deles mantiveram cobertura de pelo menos 90% com três doses da DTP desde 2019. Entre os países abaixo desse patamar em 2019, 30 conseguiram melhorar as taxas nos últimos seis anos, mas 65 permaneceram estagnados ou retrocederam - incluindo 13 países frágeis, afetados por conflitos ou em situação de vulnerabilidade.

Mais da metade de todas as crianças zero-dose vive em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora esses locais abriguem apenas cerca de um terço da população infantil mundial. O relatório aponta que, nesses cenários, "os programas de imunização frequentemente enfrentam desafios relacionados à instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico".

E o Brasil? A contramão positiva

O Brasil tem ido na contramão desses países, com melhora da cobertura vacinal constante e redução do número de crianças zero-dose, hoje estimadas em 50 mil no país. Houve melhora de cobertura e de qualidade na integração dos dados públicos. Das principais vacinas, apenas o ciclo completo da tríplice (DTP-3) mantém índices baixos, com cobertura na faixa de 86%.

Os dados nacionais, porém, são alvo de uma crítica específica: a ausência de levantamento independente sobre o tema nos últimos 5 anos, ação recomendada pela OMS e pelo Unicef para garantir a qualidade dos dados.

Desafios que ameaçam o progresso

Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da Organização Mundial de Saúde, afirmou que "os níveis históricos de imunização observados nos países de menor renda mostram o que pode ser alcançado quando todas as partes trabalham juntas em torno de um objetivo comum". O grande desafio, segundo ela, será manter esse impulso diante de restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e surtos crescentes.

O estudo informa que as bases que possibilitaram esse progresso estão sob forte pressão, com recentes cortes de financiamento, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, e enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento. Apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas e enviadas neste ciclo, em comparação com 50 em 2024 e uma média de 33 por ano entre 2015 e 2019.

Como proteger as crianças em casa?

Para quem cuida de crianças pequenas, a principal orientação é manter a caderneta de vacinação em dia. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece todas as vacinas do calendário infantil gratuitamente. Consulte a unidade de saúde mais próxima para verificar se há doses atrasadas. A prevenção começa com o acesso à informação e à rede de saúde.

Perguntas Frequentes

Quantas crianças não receberam vacina no primeiro ano de vida em 2025?

13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida, segundo o Unicef.

O que significa uma criança zero-dose?

É uma criança que não recebeu nenhuma vacina durante o primeiro ano de vida, conforme definição do estudo do Unicef.

Qual a situação do Brasil na vacinação infantil?

O Brasil reduziu o número de crianças zero-dose para 50 mil e melhorou a cobertura, mas o ciclo completo da DTP-3 ainda está em 86%, abaixo do ideal.

Por que tantas crianças ficam sem vacinação?

Por conflitos, deslocamentos forçados, pobreza, instabilidade política e, em países de renda média e alta, hesitação vacinal e cortes de financiamento.

O que fazer se meu filho está com vacinas atrasadas?

Procure a unidade de saúde mais próxima. O SUS oferece todas as vacinas do calendário infantil gratuitamente.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

Leia também

Publicidade