Saude Mental

Prevenção ao suicídio: saúde alerta para riscos das bets

ResumoA dependência em apostas esportivas online, conhecida como bets, está associada ao agravamento do sofrimento psíquico e ao aumento do risco de suicídio, alertam psiquiatras e psicólogos no Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Familiares devem observar sinais de alerta como isolamento, endividamento e mudanças bruscas de comportamento.

No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, psiquiatras e psicólogos ouvidos pela Agência Brasil destacam o sofrimento psíquico ligado à dependência em bets e orientam familiares a observar sinais de alerta.

Escrito por Sérgio Bastos · Atualizado em 10 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, psiquiatras e psicólogos ouvidos pela Agência Brasil destacam o sofrimento psíquico ligado à dependência em bets e orientam familiares a observar sinais de alerta.
Prevenção ao suicídio: saúde alerta para riscos das bets

No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, lembrado nesta quinta-feira (10), profissionais de saúde mental ouvidos pela Agência Brasil destacam o sofrimento psíquico de pacientes que relatam dependência em apostas virtuais, as bets. Eles defendem ações urgentes e conversa aberta sobre o tema durante os tratamentos.

O que os especialistas orientam observar: desesperança, sensação de estar sem saída, afastamento das pessoas, aumento do uso de álcool ou mudanças importantes de comportamento. Falas relacionadas à morte ou a não querer mais viver devem acender o alerta e levar à procura de ajuda.

A psiquiatra Katia Branco, supervisora do Grupo Pro-Amiti, do Hospital das Clínicas de São Paulo, afirma que a ideação suicida deve ser tratada de forma mais aberta, tanto no consultório quanto nos grupos terapêuticos. Ela explica que, quando buscam ajuda por causa da ludopatia, os pacientes na maioria das vezes já chegam com o humor deprimido, extremamente ansiosos pelos prejuízos causados pelos jogos. Há quem tenha pensamentos de morte e, nos casos mais graves, ideação suicida em razão das perdas financeiras.

O neurocirurgião Orlando Maia, que atua no Rio de Janeiro, explica que o mecanismo de dependência envolve condições orgânicas. Ao apostar, o cérebro pode liberar dopamina diante da expectativa de ganhar, o que funciona como recompensa e influencia regiões ligadas ao controle das decisões e do comportamento. "O sistema de recompensa pode começar a falar mais alto do que os mecanismos de controle das decisões", diz o médico, que trabalha no Hospital Quali Ipanema.

Ele alerta que a ideia suicida ocorre no aprofundamento de quadros depressivos, levados por frustração contínua. Por isso, considera fundamental que as campanhas do Setembro Amarelo reforcem o papel do cuidado, inclusive de serviços como o Centro de Valorização da Vida (CVV).

A psicóloga Claudia Feres, que atua em um Centro de Apoio Psicossocial (Caps) no Distrito Federal, recomenda que pacientes dependentes e suas famílias procurem ajuda profissional o quanto antes. Ela relata que chegam ao serviço pessoas que tiveram pensamentos e fizeram tentativa de autoextermínio. Para ela, isso não significa que querem morrer, mas que estão perdidas naquele momento. A orientação é acolher e trazer a família para junto, pensando em estratégias que façam sentido para todos.

A psiquiatra Giovanna Quinet, que trabalha no Rio de Janeiro, pondera que não se pode dizer que apostar vai necessariamente causar depressão ou que toda pessoa que aposta terá pensamentos suicidas. O problema aparece principalmente quando o jogo deixa de ser atividade eventual e passa a ocupar espaço central na vida, com perda de controle e consequências negativas. Segundo ela, o estado de desesperança pode estar associado à depressão e aumentar o risco de pensamentos e comportamentos suicidas.

Os profissionais reforçam que perguntar sobre ideação suicida não induz o suicídio. Pelo contrário, pode abrir espaço para que a pessoa fale sobre algo que vivia em silêncio. Em caso de risco, a orientação é não deixar a pessoa sozinha. O Samu atende pelo 192, e o CVV oferece atendimento gratuito pelo 188, 24 horas por dia. A Rede de Atenção Psicossocial do SUS também indica onde encontrar um Caps.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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