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SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

ResumoO Sistema Único de Saúde (SUS) firmou parceria com a farmacêutica ViiV Healthcare para produzir o dolutegravir, principal medicamento contra o HIV. A tecnologia nacional reduzirá custos e ampliará o acesso ao tratamento no Brasil, beneficiando pessoas que vivem com o vírus.

O SUS acaba de dar um passo histórico: vai produzir o principal medicamento contra o HIV, o dolutegravir. A parceria com a farmacêutica ViiV Healthcare promete reduzir custos e ampliar o acesso ao tratamento no Brasil. Entenda como isso funciona e o que muda para quem vive com HI

Escrito por Antônio Carlos Drummond · Atualizado em 16 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico AptareEquipe médica revisora

Resumo rápido

  • O SUS acaba de dar um passo histórico: vai produzir o principal medicamento contra o HIV, o dolutegravir.
  • A parceria com a farmacêutica ViiV Healthcare promete reduzir custos e ampliar o acesso ao tratamento no Brasil.
  • Entenda como isso funciona e o que muda para quem vive com HI
SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

Há alguns meses, em uma visita ao Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), no Rio de Janeiro, vi de perto o movimento que muda a vida de milhares de brasileiros. Técnicos em jalecos brancos ajustavam equipamentos para produzir o dolutegravir, o principal remédio contra o HIV. Não era uma cena comum: o Brasil, pela primeira vez, vai fabricar esse medicamento sem depender de importação ou pagar royalties. A parceria entre o Ministério da Saúde e a farmacêutica ViiV Healthcare, anunciada em 2023, permite que o SUS produza o dolutegravir localmente, reduzindo custos e ampliando o acesso ao tratamento.

A parceria entre o SUS e a ViiV Healthcare permite que o Brasil produza o dolutegravir, principal remédio contra o HIV, sem pagar royalties. A tecnologia será transferida para laboratórios nacionais, como Farmanguinhos, garantindo produção local e redução de custos. A medida amplia o acesso ao tratamento para milhões de brasileiros.

Como funciona a parceria entre SUS e ViiV Healthcare

O acordo, assinado em 2023, prevê a transferência de tecnologia para que o Brasil produza o dolutegravir, um antirretroviral de última geração. A ViiV Healthcare, detentora da patente, cedeu o direito de produção sem cobrança de royalties por um período determinado. Segundo o Ministério da Saúde, a estimativa é que o país economize cerca de R$ 300 milhões por ano com a produção local.

Os laboratórios públicos, como Farmanguinhos (Fiocruz), serão os responsáveis pela fabricação. A produção deve começar em 2025, com capacidade para atender toda a demanda nacional. A tecnologia inclui não apenas a fórmula, mas também os processos de fabricação e controle de qualidade.

Dolutegravir: por que é o principal remédio contra o HIV

O dolutegravir é um inibidor da integrase, uma enzima essencial para a replicação do HIV. Ele é recomendado pela Organização Mundial da Saúde como primeira linha de tratamento, por sua eficácia e baixa toxicidade. No Brasil, ele integra o coquetel antirretroviral distribuído gratuitamente pelo SUS desde 2017.

Segundo a OMS, o dolutegravir reduz a carga viral de forma mais rápida que outros antirretrovirais, com menos efeitos colaterais. A produção local garante que o medicamento chegue a todas as regiões do país, sem risco de desabastecimento.

Quem ganha com a produção nacional

O principal beneficiado é o paciente. Com a produção local, o custo do tratamento cai, e o SUS pode ampliar a cobertura. Atualmente, cerca de 1 milhão de pessoas vivem com HIV no Brasil, e 90% delas recebem tratamento pelo sistema público.

Além disso, a produção nacional fortalece o complexo industrial da saúde brasileira. Farmanguinhos, por exemplo, ganha capacidade técnica para produzir outros medicamentos de alta complexidade. A parceria também gera empregos qualificados e reduz a dependência de importações.

O papel de Farmanguinhos na produção do antirretroviral

Farmanguinhos, vinculado à Fiocruz, é um dos principais laboratórios públicos do país. Com a transferência de tecnologia, a unidade vai fabricar o dolutegravir em sua planta no Rio de Janeiro. A produção deve começar em 2025, com meta de atender 100% da demanda nacional até 2026.

A Fiocruz já tem experiência na produção de antirretrovirais. Desde os anos 1990, o instituto fabrica medicamentos para HIV, como o zidovudina (AZT). A nova parceria representa um salto tecnológico: o dolutegravir é um fármaco mais moderno e de maior valor agregado.

Impacto no custo do tratamento contra o HIV

O custo do tratamento com dolutegravir importado gira em torno de R$ 1.200 por paciente ao ano. Com a produção local, a estimativa é que esse valor caia para menos de R$ 400, uma redução de 70%. A economia total para o SUS pode chegar a R$ 300 milhões por ano.

Esse dinheiro pode ser reinvestido em outras áreas da saúde, como prevenção e diagnóstico precoce. A produção local também elimina a flutuação de preços no mercado internacional, garantindo previsibilidade orçamentária.

Desafios e próximos passos

A produção local do dolutegravir enfrenta desafios técnicos e regulatórios. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) precisa aprovar o medicamento fabricado no Brasil, o que exige testes de bioequivalência e controle de qualidade. O processo deve levar cerca de 18 meses.

Outro desafio é a capacitação de mão de obra. Farmanguinhos está investindo em treinamento de técnicos e na modernização de equipamentos. A parceria com a ViiV Healthcare inclui assistência técnica durante os primeiros anos de produção.

Perguntas Frequentes

O que é o dolutegravir?

É um antirretroviral usado no tratamento do HIV. Ele inibe a enzima integrase, impedindo a replicação do vírus. É considerado o medicamento de primeira linha pela OMS.

Quando começa a produção nacional do dolutegravir?

A produção deve começar em 2025, após aprovação da Anvisa e conclusão da transferência de tecnologia.

Quem vai fabricar o medicamento?

O laboratório público Farmanguinhos, vinculado à Fiocruz, será o responsável pela produção.

A produção local vai reduzir o custo do tratamento?

Sim. A estimativa é que o custo por paciente caia de R$ 1.200 para menos de R$ 400 ao ano, gerando economia de R$ 300 milhões anuais para o SUS.

O medicamento será gratuito?

Sim. O dolutegravir já é distribuído gratuitamente pelo SUS. A produção local não altera esse direito.

Como a parceria com a ViiV Healthcare funciona?

A farmacêutica transferiu a tecnologia de produção sem cobrança de royalties, permitindo que o Brasil fabrique o medicamento localmente por um período determinado.

Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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