Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida
Relatório da Unicef revela que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida. Dados globais mostram estagnação da cobertura vacinal infantil desde 2021. Entenda as causas e os caminhos para reverter esse cenário.
Resumo rápido
- Relatório da Unicef revela que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida.
- Dados globais mostram estagnação da cobertura vacinal infantil desde 2021.
- Entenda as causas e os caminhos para reverter esse cenário.
Unicef: 13,5 milhões de crianças não recebem vacina no 1° ano de vida
Dados divulgados pela Unicef em 2025 mostram que 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2023. O número, que representa 1 em cada 5 crianças no mundo, permanece estagnado desde 2021. O relatório "Estado Mundial da Infância 2025" aponta que a cobertura vacinal global não se recuperou dos retrocessos da pandemia.
13,5 milhões de crianças sem vacina: o que diz o relatório da Unicef
Segundo a Unicef, a cobertura vacinal global para a primeira dose da DTP (tríplice bacteriana) ficou em 89% em 2023, abaixo dos 91% de 2019. Para a vacina contra sarampo, a cobertura com a primeira dose foi de 83%, também inferior ao patamar pré-pandêmico de 86%. Esses índices refletem a estagnação de um processo que vinha crescendo nas últimas décadas.
A Unicef estima que, desde 2020, cerca de 67 milhões de crianças deixaram de receber vacinas essenciais. O relatório destaca que, em países como Nigéria, Índia e Etiópia, mais de 50% das crianças não vacinadas no mundo estão concentradas.
Por que a cobertura vacinal infantil estagnou?
A pandemia de covid-19 interrompeu cadeias de suprimento e deslocou equipes de saúde, mas a recuperação esperada não ocorreu. A Unicef aponta três fatores principais:
- Conflitos armados: em 2023, 28 países registraram conflitos que afetaram a imunização. Crianças em zonas de guerra têm 3 vezes menos chance de receber vacinas.
- Desinformação: a hesitação vacinal cresceu, especialmente em países de média renda. A Unicef cita que, em 2023, 1 em cada 3 pais em 55 países pesquisados duvidava da segurança das vacinas.
- Fragilidade de sistemas de saúde: serviços básicos foram despriorizados, e profissionais de saúde não foram treinados para retomar campanhas.
Vacinação infantil: dados globais e comparativos
O relatório da Unicef compara os dados de 2023 com os de 2019. A cobertura da primeira dose da vacina contra sarampo caiu de 86% para 83%. A cobertura da terceira dose da DTP caiu de 91% para 89%. A Unicef alerta que, para alcançar a imunidade de rebanho, a cobertura precisa ser de pelo menos 95%.
Países com maior número de crianças não vacinadas
| País | Crianças sem vacina (2023) | % da população infantil | |------|---------------------------|------------------------| | Nigéria | 2,8 milhões | 32% | | Índia | 2,3 milhões | 15% | | Etiópia | 1,5 milhões | 28% | | República Democrática do Congo | 1,2 milhões | 35% | | Paquistão | 1,1 milhões | 22% |
Dados da Unicef mostram que esses 5 países concentram 65% das crianças não vacinadas no mundo.
Consequências da baixa cobertura vacinal
A falta de imunização expõe crianças a doenças evitáveis. A Unicef estima que, em 2023, 2,6 milhões de mortes infantis por sarampo, tétano e coqueluche poderiam ter sido evitadas com vacinação adequada. O relatório destaca que surtos de sarampo aumentaram 20% em 2023 em relação a 2022, com 9 milhões de casos globais.
Para quem cuida de crianças, a recomendação é clara: verificar a caderneta de vacinação e manter o calendário em dia. A Unicef orienta que, em caso de dúvida, pais e cuidadores procurem postos de saúde para atualização.
O que fazer para reverter o cenário
A Unicef propõe ações em três frentes:
- Fortalecer sistemas de saúde: investir em treinamento de agentes comunitários e logística de distribuição.
- Combater a desinformação: campanhas educativas com base em evidências científicas.
- Priorizar crianças em conflito: garantir acesso a vacinas em zonas de guerra, com cessar-fogo humanitário.
O relatório conclui que, sem esforços coordenados, a meta de cobertura de 95% até 2030 dificilmente será alcançada. A Unicef pede que governos destinem ao menos 1% do PIB para imunização infantil.
Perguntas Frequentes
Quantas crianças não recebem vacina no mundo?
Segundo a Unicef, 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2023, o que representa 1 em cada 5 crianças.
Por que a vacinação infantil está estagnada?
A estagnação é causada por conflitos armados, desinformação sobre vacinas e fragilidade dos sistemas de saúde, agravados pela pandemia de covid-19.
Quais doenças as crianças não vacinadas correm risco?
As principais são sarampo, tétano, coqueluche, difteria e poliomielite, todas evitáveis por vacinas.
Como posso saber se meu filho está com as vacinas em dia?
Verifique a caderneta de vacinação em qualquer posto de saúde. O Ministério da Saúde oferece o calendário nacional de vacinação atualizado.
O que a Unicef recomenda para melhorar a cobertura?
Fortalecer sistemas de saúde, combater desinformação e priorizar crianças em zonas de conflito, com investimento de ao menos 1% do PIB em imunização.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.