SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV
A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal remédio contra o HIV distribuído pelo SUS. Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV usam o medicamento no Brasil. Três lotes já foram fabricados e aguardam liberação da Anvisa.
Resumo rápido
- A Fiocruz concluiu a transferência de tecnologia para produzir o dolutegravir, principal remédio contra o HIV distribuído pelo SUS.
- Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV usam o medicamento no Brasil.
- Três lotes já foram fabricados e aguardam liberação da Anvisa.
SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV
Ouvi de um amigo que há décadas vive com HIV: "Antes, tomar remédio era quase uma sentença. Hoje, é um comprimido que me deixa viver." Ele se referia ao dolutegravir, o principal antirretroviral usado no tratamento do HIV no Brasil, que acaba de dar mais um passo rumo à produção nacional.
A Fiocruz, por meio de Farmanguinhos, concluiu a transferência de tecnologia para fabricar o dolutegravir, medicamento que atualmente é usado por mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV no país. O processo, iniciado em 2020 com a assinatura de um contrato com a ViiV Healthcare (empresa de pesquisa para prevenção e tratamento do HIV, pertencente à GSK), chega agora à fase final: três lotes do remédio já foram fabricados e validados, e o fornecimento ao SUS depende apenas da liberação da Anvisa.
Como funciona o dolutegravir e por que ele é tão importante?
O dolutegravir age inibindo a enzima integrase do HIV, impedindo que o vírus se replique dentro das células de defesa do organismo. O resultado é uma redução da carga viral a níveis indetectáveis, melhora da imunidade e prevenção da progressão para a AIDS, tudo com poucos efeitos colaterais. Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o medicamento como opção preferencial para tratamento de primeira e segunda linha em todas as populações, incluindo mulheres grávidas e pessoas com potencial para engravidar.
O caminho até a produção nacional
Desde a assinatura do contrato em 2020, Farmanguinhos investiu na adaptação de sua planta fabril, aquisição de novos equipamentos, capacitação de profissionais e estruturação técnica, regulatória e operacional. Em 2022, o instituto já distribuía ao SUS os remédios produzidos nas fábricas da GSK, mais de 739 milhões de cápsulas já foram fornecidas dessa forma. Em 2025, Farmanguinhos também assumiu as análises laboratoriais de controle de qualidade do medicamento.
O que falta para o remédio chegar ao SUS?
Agora, o início do fornecimento ao SUS depende apenas da liberação da Anvisa. Três lotes do remédio já foram fabricados e validados por Farmanguinhos e poderão ser distribuídos assim que a agência expedir a autorização. Paralelamente, o instituto trabalha na validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo.
Próximo passo: a combinação com lamivudina
O acordo de transferência de tecnologia não para por aí. Ele inclui mais uma etapa: a internalização da produção do dolutegravir em combinação com a lamivudina, outro antirretroviral. Esse formato também é distribuído pelo SUS, e a expectativa é que a produção comece a ser feita por Farmanguinhos no ano que vem.
O que muda para quem vive com HIV no Brasil?
A nacionalização da produção do dolutegravir representa mais autonomia para o SUS e redução da dependência de importações. Para quem vive com HIV, a garantia de acesso contínuo ao principal medicamento do tratamento é um avanço concreto. A combinação com lamivudina, que vem a seguir, promete simplificar ainda mais o regime terapêutico.
Perguntas Frequentes
Quantas pessoas usam dolutegravir no SUS?
Mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV fazem uso do medicamento no Brasil, segundo a fonte oficial.
Quando o remédio começa a ser distribuído?
Assim que a Anvisa liberar os três lotes já fabricados e validados por Farmanguinhos.
O dolutegravir substitui outros medicamentos?
Sim, a OMS recomenda o dolutegravir como opção preferencial para tratamento de primeira e segunda linha, por sua alta eficácia e poucos efeitos colaterais.
O que é a combinação com lamivudina?
É uma segunda etapa do acordo: a produção do dolutegravir combinado com a lamivudina, outro antirretroviral, que também será fabricado por Farmanguinhos a partir de 2027.
Quem desenvolveu o dolutegravir?
O medicamento foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa de pesquisa para prevenção e tratamento do HIV pertencente à biofarmacêutica GSK.
Fontes
- Conteúdo revisado pela equipe clínica de Aptare.
- Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.